Antes do Festival,
uma frase.
Uma mobilização de mulheres na Cinelândia ajuda a contar onde começou a história que chegaria ao Festival Nacional da Produção Intelectual Brasileira.
Em 25 de julho de 2025, mulheres da RELHUM — Rede de Enfrentamento e Luta Humanizada das Mulheres chegaram à Cinelândia com uma mensagem estampada no peito:
“Nós temos mais que nossos corpos para vender.”
A mobilização, organizada e formalizada antecipadamente, levaria ao Centro do Rio uma discussão sobre segurança pública para mulheres, incluindo o GSZ360, e uma crítica à cultura que reduz mulheres pretas ao corpo, à sexualização e a lugares sociais determinados.
A frase fazia uma afirmação simples: há também pensamento, criação, liderança e produção intelectual.
Um encontro inesperado com a história
Poucos dias antes do ato, o Brasil recebeu a notícia da morte de Preta Gil. Sua despedida pública foi marcada para o mesmo dia, no Theatro Municipal, na Cinelândia.
Diante daquele momento, a RELHUM readequou sua mobilização e abriu espaço para a despedida da artista.
A mensagem, porém, permaneceu:
NÓS TEMOS MAIS QUE NOSSOS CORPOS PARA VENDER.
Da rua para a literatura
A discussão continuou depois daquele dia.
Se determinados estereótipos são construídos e reproduzidos culturalmente, seria preciso também disputar o campo das ideias. A literatura tornou-se um dos caminhos.
Dessa trajetória nasceram iniciativas de produção intelectual em torno de dois temas:
Uma ideia começa a crescer
Dos debates vieram os concursos. Dos concursos, uma proposta nacional.
Assim começou a ganhar forma o Festival Nacional da Produção Intelectual Brasileira — Do Oiapoque ao Chuí: a Cultura se Encontra Aqui.
E antes dos grandes palcos, houve mulheres dizendo que tinham muito mais a oferecer.